@PHDTHESIS{ 2025:1791657246, title = {Risco de dor muscular mastigatória entre teleatendentes na cidade de Salvador, Bahia: um estudo de coorte prospectiva}, year = {2025}, url = "http://bibliotecatede.uninove.br/handle/tede/3901", abstract = "Introdução: O termo disfunção temporomandibular caracteriza-se por dor nos músculos mastigatórios, na articulação temporomandibular (ATM) ou em ambos, sendo a dor muscular mastigatória (DMM) a manifestação mais prevalente. A DMM é frequentemente observada entre teleatendentes, cujo trabalho envolve movimentos repetitivos da ATM por longos períodos, geralmente sem pausas adequadas e sob exposição contínua a fatores estressores. Embora se reconheça o caráter multifatorial dessas condições, a investigação específica da DMM nessa população permanece uma lacuna relevante no campo científico. Objetivos: Estimar o risco de DMM, a prevalência de DTM e os fatores associados à sua ocorrência, especialmente aqueles relacionados à ocupação; e descrever os aspectos psicossociais entre teleatendentes da cidade de Salvador, Bahia. Material e Métodos: Foi conduzido um estudo epidemiológico transversal aninhado à uma coorte prospectiva, com tempo de seguimento de um ano, envolvendo teleatendentes lotados em um call center e funcionários técnico administrativos de uma outra empresa. Foi aplicado um questionário estruturado, contendo cinco blocos de perguntas inerentes aos aspectos sociodemográficos, clínicos, ocupacionais, psicossociais da ocupação (JCQ); distúrbios psíquicos menores (SRQ20); estresse psíquico (QSG12); e diagnóstico de DTM/ DMM através do Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular RDC/TMD eixo I. As variáveis com valor de p ≤ 0,20 na análise bivariada foram incluídas no modelo multivariado de regressão logística, com estimativa das razões de chances (odds ratio – OR) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). O modelo final foi ajustado pelo método de eliminação regressiva (stepwise backward), adotando-se p<0,05 como nível de significância estatística. A qualidade do ajuste foi verificada pelo teste de Hosmer-Lemeshow, e o desempenho discriminatório do modelo foi avaliado pela curva ROC. Este projeto foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA) e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Resultados : A prevalência de DTM na população de teleatendentes foi de 40,50%, predominando casos de baixa gravidade, conforme Índice Temporomandibular (ITM = 0,08 ± 0,02). A análise multivariada revelou associação estatisticamente significante entre a presença de DTM e tempo na atividade superior a sete meses (ORajust = 2,0; IC95%: 1,1–4,0), acima de 82 chamadas telefônicas diárias (ORajust = 2,1; IC95%: 1,1–3,9) e níveis elevados de estresse ocupacional (ORajust = 2,1; IC95%: 1,1–4,4). A atividade ocupacional foi considerada estressante por 68,0% dos participantes, enquanto 60,0% não percebiam relação entre seus sintomas e o trabalho desempenhado. A ocupação caracterizou-se como uma atividade de alta demanda (46,5%) e baixo controle (47,5%). Embora 22% dos teleatendentes apresentasse altos níveis de estresse e 25,5% tivesse suspeita de transtornos mentais menores, sinais psicológicos foram identificados em apenas 2% dos participantes. O risco de DMM foi maior entre teleatendentes, (OR =5,09; IC 95%: 2,37 – 10,94), com dor no último mês (OR =1,94; IC 95%: 1,10 – 3,41), que consideravam a atividade estressante (OR =2,31: IC 95%: 1,29 –4,12) e com maior gravidade (OR =9,08; IC 95%: 5,68 – 14,53), ajustados por sexo e idade. Conclusão: A DMM é altamente prevalente entre teleatendentes e apresenta forte associação com a atividade ocupacional desempenhada. O teleatendimento configurou-se como fator de risco independente para o surgimento e agravamento da dor, influenciado por estresse ocupacional, dor prévia e gravidade clínica. A robustez metodológica, incluindo análises multivariadas e validação por curva ROC, reforça a confiabilidade dos achados. Torna-se essencial implementar estratégias preventivas baseadas em evidências — como intervenções ergonômicas, educação funcional, monitoramento longitudinal e suporte psicossocial — para reduzir a progressão dos sintomas e promover ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.", publisher = {Universidade Nove de Julho}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação}, note = {Saúde} }