@PHDTHESIS{ 2023:944017610, title = {Suplementação nutricional para idosos com doença renal crônica em hemodiafiltração: impacto na sobrevida e estado nutricional}, year = {2023}, url = "http://bibliotecatede.uninove.br/handle/tede/3962", abstract = "Introdução: Indivíduos com doença renal crônica (DRC) em terapia renal substitutiva têm maior risco de desnutrição. Diversos fatores concorrem para seu desenvolvimento, dentre eles o acúmulo de ureia no organismo que dispara mecanismos de hipercatabolismo e proteólise muscular e gera inapetência, condições que em indivíduos idosos podem se agravar devido o declínio funcional e orgânico do envelhecimento. Dessa forma, o estado nutricional é um fator de risco potencialmente modificável na mortalidade dessa população. A suplementação nutricional oral (SNO) se mostra como uma alternativa de tratamento e prevenção da desnutrição, haja vista que é capaz de promover o aumento do consumo calórico e proteico, fornecendo nutrientes como a leucina, que age diretamente na síntese de proteína muscular. Entretanto, até o presente momento não há nenhum estudo sobre o efeito da SNO em indivíduos com DRC submetidos à hemodiafiltração (HDF) bem como não há estudo específico em idosos. Nossa hipótese é de que a SNO para idosos em HDF será capaz de melhorar o estado nutricional e reduzir a taxa de mortalidade. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo, no qual foram incluídos idosos com 65 anos ou mais, em HDF há pelo menos três meses, no período de setembro de 2018 a junho de 2020. A análise dos prontuários forneceram dados clínicos, demográficos e laboratoriais. Para avaliar o estado nutricional foram utilizados dados antropométricos como peso corporal, altura, índice de massa corporal e circunferência da panturrilha, todos mensurados pós-HDF, as ferramentas Avaliação Subjetiva Global (ASG) e Malnutrition Inflammation Score (MIS) também foram empregadas. A força muscular foi avaliada por meio da dinamometria manual durante a HDF no braço oposto a fístula e no braço direito em caso de cateter. A bioimpedância elétrica multifrequencial octopolar foi utilizada para avaliar a composição corporal, a avaliação foi realizada 30 minutos após a sessão de HDF. A sarcopenia foi diagnosticada quando o participante apresentou o índice de massa muscular esquelética (massa muscular esquelética/altura²) abaixo dos pontos de cortes estabelecidos pelo European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP), no qual homens < 8,87 kg/m2 e mulheres < 6,42 kg/m2 em associação a baixa força muscular, quando homens apresentavam a força de preensão palmar (FPP) <27 kgf e mulheres <16 kgf. Foram utilizados 3 tipos de SNO: suplemento nutricional completo normocalórico e hiperproteico (98kcal e 8,0g de proteínas por 100ml), suplemento nutricional completo normocalírico e normoproteico (112 kcal e 4,9g de proteínas por 100ml) e suplemento nutricional de proteína isolada de soro de leite de vaca em pó (52 kcal e 13g de proteínas por 15g). A suplementação era iniciada quando o participante apresentava: perda de peso grave (≥ 5% em 1 mês), depleção muscular, estado nutricional classificado como moderadamente desnutrido (ASG B) ou gravemente desnutrido (ASG C), consumo de alimentação com alteração de consistência como líquida ou pastosa. A escolha do tipo de suplemento e a dose utilizada foi de acordo com avaliação do nutricionista baseada na necessidade calórica e proteica e melhor aceitação do participante. A suplementação foi diária durante todo o seguimento. O efeito da suplementação nutricional sobre o estado nutricional, composição corporal, sarcopenia, força muscular, albuma e proteíca C reativa foi avaliado após 6 meses e sobre a taxa de mortalidade após 1 ano. Resultados: Foram incluídos 132 pacientes com mediana de idade de 74 anos (70 - 82), 77 (58,3%) do sexo masculino, 70 (53%) com diabetes. Os participantes que receberam SNO (N=85, 64,4%) eram mais velhos, 78 anos (70 - 83) p=0,007, e tinham maior concentração de vitamina D 24,2 ± 9,2 ng/dL (p=0,042) do que aqueles sem suplementação (N=47, 35,6%). A suplementação nutricional não modificou peso, IMC, CP, FPP e a prevalência de sarcopenia ao longo dos 6 meses. A prevalência de participantes com pontuação ≥ 7 no MIS reduziu de 81,9% para 66,3% no grupo com suplementação (p=0,015). A classificação da ASG não mudou durante o seguimento em ambos os grupos. A massa gorda aumentou no grupo sem suplementação e diminuiu no grupo com suplementação (de 26,4 ± 10,3 kg para 27,0 ± 9,8 kg, vs. de 19,9 ± 8,4 kg para 19,6 ± 7,8 kg, respectivamente p=0,042). A suplementação nutricional estabilizou a perda de massa muscular esquelética (de 17,4 ± 5,4 kg para 17,2 ± 4,8 kg, p = 0,039), enquanto que os participantes não suplementados apresentaram maior perda (de 19,8 ± 5,7 kg a 18,6 ± 6,6 kg), p=0,039. Na avaliação do desfecho mortalidade, foram obbservados 20 óbitos, 7 (14,9%) não foram suplementados e 13 (15,3%) receberam suplementação (p=0,582). Os não sobreviventes eram mais velhos 79  7 anos (p=0,012), com maior concentração de proteína C reativa 25,7 (8,2 – 43,9) mg/L (p=0,046) e menos massa muscular esquelética 15,5 ± 5,4 kg (p=0,017). A análise de sobrevida de COX mostrou que a massa muscular esquelética (risco relativo 0,90, intervalo de confiança de 95% 0,82-0,99, p=0,030) e a idade (risco relativo 1,07, intervalo de confiança 95% 1,01-1,14, p=0,046) foram fatores de risco independentes para mortalidade. Os participantes com e sem suplementação não diferiram na taxa de mortalidade (p=0,824) Conclusão: A suplementação nutricional em idosos em HDF estabilizou a perda de massa muscular esquelética e beneficia a sobrevida, uma vez que a taxa de mortalidade dos participantes suplementados foi semelhante a dos indivíduos que não receberam suplementação mesmo estes apresentando mais fatores de risco para mortalidade.", publisher = {Universidade Nove de Julho}, scholl = {Programa de Pós-Graduação em Medicina – Ciências da Saúde}, note = {Saúde} }